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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Posso ler sua mão?

Grande coisa!
Isso é lá coisa que se diga quando se quer rolo com uma menina?
Era mais pra chamar a atenção. Depois disse-me isto mesmo, refutando que já estava desesperado pra chamar minha atenção e que, ao contrário do que eu lhe dissera, não era mera zoação... Era uma forma de dizer "Ei, estou aqui! Você pode me ver?"
Era tesão!
E isso já contava meses.
Fiquei surpresa. Ele não era absolutamente lindo... Nem chegava a tanto! Mas, incrivelmente despertou em mim o ato, o FATO de eu estar viva e por mais ridicula, engraçada que o "Posso ler sua mão?" se apresentasse, ainda isso me faria sentir viva... DE NOVO!!!
- Claro!
- Hum... Deixe-me ver o que tem escrito aqui... Que letra deve ter? Eita! ACHEI! Tem a letra M.
O nome dele era Mauricio.
- É mesmo! Eu nunca tinha notado!!! E onde é que tá a letra M ai?
- Aqui, Óh! Disse apontando para uns dois traços meio paralelos, meio curvos, meio nadaavercomaletraM.
Ele sorriu.
Eu também.
- E ai? O que tens feito da vida?
- Trabalhando. Trabalhando o tempo todo. Eu estou realmente cansada hoje...
- Hum! Cansada neh?
- Anham.
Are!
Fiquei tão sem graça como no dia em que o coleguinha da escola abaixou a minha saia na frente dos outros na sala de aula quando tinha apenas 6 anos.
Nem de perto pareceu, mas ele de alguma forma me despiu.
...
Ele não só leu a minha mão como me convidou para beber alguma coisa. Também aceitou com carinho minhas mensagens de texto - "Eu adorei a mensagem que você me enviou!!!"
Com muito respeito levou-me ao seu recanto (que descobri ser o meu também) de reflexão sobre a vida, a existência... O de contemplar e admirar a vida, a obra do Criador; com profunda destreza soube recolher-me em seus braços, me fazer de gato e sapato e fazer-me sua depois de eu tanto relutar. Ainda me fez comer esfirras com coca-cola entocada debaixo de uma árvore num lugar que eu provavelmente não sabia nem encontrar no Google Earth. Contou-me de sua vida, de suas traquinagens e de sua vida tão corrida, mestre do divino compasso das orquestras, dos cachorros que assustam ladrões, das aventuras tidas como vacinas.
Ele, que me preparou em surpresa (talvez até imperceptivelmente) as roupas em cima da cama inenarravelmente de forma que, ao sair do banho, não pude me conter em tamanha gentileza. Ele, que não para no lugar quieto, que me deu trabalho, que massegeou os dedos dos meus pés com uma ferramenta pouco usual. Ele, que tirou água com o "balde" de lixo... Que me fez rir, que prefere não se envolver, que fez da minha tarde um lugar de alegrias inefáveis.
À ele, que leu a minha mão...
Minhas e outras histórias. By Tali Mota

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Encontro com quem só me quer bem... (Parte II)


Helpless when she smiles


She keeps the secrets in her eyes

She wraps the truth inside her lies

Just when I can't take what she's done to me

She comes to me

And leads me back to paradise

She's so hard to hold

But I can't let go


**********


I'm a house of cards in a hurricane

A reckless ride in the pouring rain

She cuts me and the pain is all

I wanna feel

She danced away just like a child

She drives me crazy, drives me wild

But I'm helpless when she smiles


**********


Maybe I'd fight it if I could

It hurts so bad, but feels so good

She opens up just like a rose to me

When she's close to me

Anything she asked me to, I would

It's out of control

But I can't let it go


***********


I'm a house of cards in a hurricane

A reckless ride in the pouring rain

She cuts me and the pain is all

I wanna feel

She danced away just like a child

She drives me crazy, drives me wild

But I'm helpless when she smiles....


When she looks at meI get so weak

I'm a house of cards in a hurricane

A reckless ride in the pouring rain

She cuts me and the pain is all

I wanna feel

She danced away just like a child

She drives me crazy, drives me wild

But I'm helpless when she smiles...




Fiquei esbaforido. A carga emocional naquela noite já me era bastante pesada e eu fiquei sem palavras. E então, ela, de um jeito meigo, me olhou por alguns segundos e envolveu-me nos seus quentes braços, beijando-me.
Confesso que até agora não compreendo direito como que foi aquilo, mas aconteceu!
De repente me via debruçado sobre ela, que com o corpo tão receptivo não me deixou outra alternativa senão "entregar-me".
[Vamos ao uso das aspas("): sabemos que nenhum homem se entrega assim pra uma mulher, por mais linda, inteligente e gostosa que for; o que rola é uma entrega parcial, momentânea e ai, a desculpa que damos depois do depois é sempre a mesma "Vamos deixar que o tempo diga!!!". Homem é safado! Não se iluda!!!]
Não cheguei nem perto da "entrada na área" e ela se esquivou.
- Acho melhor não!
- Não?
- E se eu disser que não?
- Vou entender. Sou paciente!
Paciente uma porra!
Mas, de repente, ela, do nada, abriu um sorriso que me fez parecer um diazepanense; incrivel a forma como me desvinculei de todos os sentimentos mais podres que passam nessas horas na cabeça de um homem. Esperava por esse momento a dias!!!
Ela tentou explicar:
- Fazia mó tempão que eu esperava por isso!
- Mesmo?
- É. Mas, sei lá! Achava que não era o momento...
-Também você tinha namorado e eu tava pra sair do país pra fazer aquele intercâmbio... Também não tinha ideia de que você já se sentia atraida por mim!
- Você lembra daquele dia em que você me encontrou na chuva, toda molhada á beira de um colapso de nervos?
- Sim. Claro! Sua escova caiu todinha se não me engano... kkkkkk Você ia pra alguma festa não era???
- Não. Eu tava voltando da casa de "fulano". Tinhamos acabado naquele dia e eu tentava criar coragem para ir na sua casa e dizer que você não viajasse porque eu sabia que não ia dar conta de estar aqui sem você...
E começou a chorar.
-Desde aquele momento, então, constatei que era você! E ai, você apareceu na minha frente justo naquele momento... Entendi como uma resposta!
- Caramba!!! Era tudo o que conseguia pensar.
- Mas, por que você não me falou isso enquanto eu te tirava da chuva? Você nem me deixou levá-la em casa... Me disse que ia numa festa. Eu nem podia imaginar que era isso! Você não me disse nada.
- Não disse porque não era a hora. Claro que percebi isso só depois, porque na hora mesmo, a verdade é que não tive coragem!!! Mas, veja agora: onde estamos??? O tempo é agora!
A noite, depois destes fatos apresentados, seguiu seu curso normal. Ela estava muito emocionada. Acho que na cabeça dela aquilo tudo era uma realização de um desejo muito antigo e isso, claro, devia estar mexendo demais com os seus sentimentos, hormônios e afins.
Me abraçou e ficamos o resto da noite "casados"...
Nunca me senti tão confortável nos braços de alguém. Representava uma idealização real, uma amiga, um consolo nas horas dificies, uma conversa enriquecedora, um amor de mãe daqueles incondiconal... Porém, mais do que isto: representava uma história que começou sem eu nem saber e que ia terminar pelo mesmo motivo.
Não consegui, naquele momento, raciocinar ou imaginar algo diferente de não estar com ela, tudo bem! Mas, ela era demais pra mim! Além disso, eu a tinha como alguém de uma grandiosidade inquestionável. Sabendo como sou, apesar da confusão das ideias, pude, ao menos, concluir que se naquele dia da chuva não era o "momento", aquele também não o seria. Por mais desejável, admirável e todos os "ável" que se comportassem à ela, a verdade é que não podia ficar com ela... Não sei! Eu era mais novo e tinha tantas coisas...
Uma coisa era certa pra mim naquele momento: não podia alimentar esse sentimento nela. Não era justo! Ela merecia encontrar o caminho dela e este definitivamente não era o mesmo que o meu.
Levei-a em casa.
Despedi-me carinhosamente.
Ela nunca entendeu porque eu passei três semanas sem entrar no msn e com o telefone "fora de área".
Preferi assim.
Até que (e tem que ter esse "até que"... Incrível!), num show encontrei uns amigos e através de um comentário aparentemente banal, soube que ela passou numa seleção pra estudar fora do país e lá iria fixar residência.
- Isso é sério? Perguntei numa curiosidade comovente.
- É pow! Vai viajar no fim do mês. Já é pra agora!
Engoli a seco a sensação "Estou perdendo a mulher da minha vida", mas em seguida entendi:
- É. Ela tá certa! Tem que fazer a vida dela mesmo...
- Meu irmão... Sabe quem disse que vai com ela? Aquele ex-namorado dela. O cara disse que ela acabou com ele porque tava gostando de outro cara, só que o outro cara não quis nada com ela, véi! Tu acredita nisso? Deve ser um otário porque ali é considerada mesmo! O cara disse que vai insistir. Disse o que contou a notícia.
Outro ratificou:
- Se é! Queria eu ter a oportunidade...
Argumentou, entretanto, outro que tava na roda:
- Mas, vai ver o outro cara não gostava dela mesmo. Oush! E vai ficar com uma "boyzinha" só porque ela é linda? Assim, ele pega qualquer uma... Mulher é o que não falta! Vai ver ele realmente não queria compromisso, já que ela é uma menina de namorar e talz... Melhor ela ficar mesmo com esse que gosta dela.

- Puta merda!!! Eu devia ter conversado com ela! Era o que eu tentava contra-argumentar com o meu cérebro.

E sai disposto a uma conversa franca. Não sei o que me deu. Talvez uma ponta de arrependimento por não ter sido honeto e corajoso com ela diante de tantos fatos...

- Amanhã resolvo isso!!!

(Continua)

Heitor Helles

















sábado, 18 de abril de 2009

135

135.
Número que abre muitas portas... Número que fecha também.
Ali tinha ficado o seu cheiro, o seu suor, a presença marcante dos seus passos em direção a ...
Tinha ficado seu sorriso, sua performance, seu desequilibrio... Minha loucura!
Bateu a porta e mais outra. Ainda não consegui decodificar o que se passou em curtos instantes na minha mente atordoada por beijos e súplicas enquanto saia daquele lugar.
"Aurora da minha vida que os anos não trazem mais..."


- Os anos não trarão mais! Pensava convicta de uma certeza duvidosa.

- Você prefere que eu a leve pra jantar ou pra dançar?

- O quê?

- Você prefere que eu a leve pro Ibura ou pra Caxangá?

- Ah...!
Dizem que nossa mente se prepara pro que se deseja ouvir...

- Que idiota eu sou! Esbravejava para si mesma.

- E ai?

- Caxangá mesmo. Acho que minha costureira não está em casa!!!


Gargalharam juntos.


- Tudo bem. Mas, antes vou no posto botar gasolina no carro. Você se importa?

- Imagine!


A esta altura estava congelada com o que eu tinha acabado de fazer. Aliás, congelada é pouco! Pensava nos motivos, nos argumentos... Então, pensava nos beijos, nas juras ao "pé do ouvido", nas mordidas...
Pensava principalmente no 135. Tinha ficado ali. Tudo estava ali!
Parou o carro e foi comprar um coke ...

- Volto logo. Você quer alguma coisa?

- Não. Obrigada.

- Vê se sobrevive ai sem mim...

E deu as costas num sarcasmo que me deixou completamente desarmada.

Fitei-o.

Fitei-o dentro e fora de mim.

- Aquilo tudo não aconteceria por acaso. Gritava-me a afirmativa no peito.

E tudo: a frase que me desarticulou, a caminhada até a conveniência, a noite sem estrelas que o permeava a face, os gestos, a forma como conduziu a lata de coke nas mãos, a atenção segura dada às pessoas do estabelecimento, as chaves de volta às mãos, o "Muito obrigado!", que revelava-me suas boas maneiras e me fazia enxergá-lo como um gentleman, a lua que enfeitiça-me ao olhar-lhe nos olhos... agora me fazia pensar não nos motivos, no fato que causou tamanho "desarrume", mas naqueles que me fariam sair daquele carro e desistir daquela noite.


- E ai? Sobreviveu?

Ria de um jeito tão particular que me confundia os sentidos.

Abri um sorriso e minha alma tocou na dele.

- Ainda acho que consigo...
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- Resultado: passei toda a minha vida amando este homem!

- Poxa...! E o fim da história? O que aconteceu depois disto? Vocês casaram?


Neste momento o motorista aparece e pergunta se ela estava pronta.


- Sim. Respondeu ligeiramente.


- Ah não! Vó... Me conta! Me conta!

- Quem sabe um dia?

- Poxa... Por favor!

- Oh, menina... Deixa disso! Um dia eu conto!


E quando ia atravessando a porta, ainda pôde ouvir sua neta indagar:

- Pelo menos diga se a senhora conseguiu sobreviver sem ele...


Olhou o motorista.
Um senhor de uns 67 anos e de esperanças quase falidas, marcado pelos anos de trabalho, pelas armaguras da vida e pelo desprezo do abandono (talvez!)...


E, carregando todo o fôlego imaginável (e cabível de emoção), sussurrou numa voz doce de senhora:

- Acho que ainda consigo...



[Contos da sala de improvisar. By Tali Mota.]
Obs: As partes destacadas de preto são marcações do narrador.