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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

PAIXÃO: o pretérito imperfeito da minha vida


Sim.


Já sou alfabetizada e mais do que ninguém sei que a palavra “paixão” não corresponde a um verbo para poder ser conjugado no pretérito imperfeito. É um substantivo dito como abstrato e para mim, de fato, é! Mais do que isto: é o pretérito imperfeito da minha vida! Causa de conflitos internos, de reflexões acerca do que sinto, de levar à risca o que meu amigo Sócrates disse uma vez, talvez acabando de viver uma paixão, “Conhece-te a ti mesmo”; causa que me rende bons textos.
Estou vivendo mais uma paixão!


E sinto que, mais uma vez, ela não será PERFEITA, embora os acontecimentos estejam me provando o contrário. Planejar algo que nunca poderá ser vivido intensamente não é uma boa forma de viver a vida...

Ando percebendo que o CARPE DIEM não é o meu lema de vida.
Eu não vivo intensamente!

Eu espero sempre um amanhã. Penso que dá pra agüentar mais algumas horinhas e esperar ele me ligar, me chamar de “gatinha”, dizer que sente minha falta, que quer sair logo dali e me levar junto, que não vê a hora de beijar minha boca...

Penso que devem existir pessoas que vivem o que prega o CARPE DIEM...
DE VEZ EM QUANDO, claro!

Ninguém consegue realmente ser pleno em tudo o que faz, senão não existiriam famílias, empregos, vida social. A vida é feita nos seus pormenores, no momento exato em que se erra, quando não se é pleno. A vida existe e perdura no seu pretérito, que é sempre imperfeito. Nunca concluído.

Discordo quando se conjetura a existência do pretérito PERFEITO.
Pra mim, não!

Na minha vida tudo não passou de um projeto não-finalizado, interrompido por algo ou alguém que, da mesma forma, é/está inacabado... E quão difícil tem sido encarar esta realidade!

Lembro-me de quando precisei tomar meu rumo depois que acabou o período escolar... Sofri demais! E, um amigo meu, em confidência, revelou-me que a vida é isto mesmo: um emaranhado de experiências que se intercalam ora entre si ora pelo mundo exterior a nós, porém (e sempre tem o PORÉM!) não vive em si mesma o tempo todo. É necessário que se viva outras coisas e que se guarde o que de bom ficou delas.

Mas, o que fazer com essa minha paixão?
O que fazer com toda esta loucura?
Quanto vale um devaneio?



Quanto vale um devaneio?

Se é que é devaneio!!!


Não sei suportar o que é viver algo que nunca está acabado e que nunca irá ter fim!


Não dá pra suportar vê-lo indo embora quando ainda não respondeu o que sente por mim... De verdade!



Não dá pra agüentar olhar pra ele e não poder dizer que adoro quando ele inventa aqueles truques que deixa todo mundo rindo...


Não dá pra ficar feliz quando ele me diz “Então, gatinha, dorme bem e até amanhã!”, quando o que eu queria era passar a noite toda com ele, nem que fosse só ouvindo a sua voz...


Não dá pra ficar de frente pra ele e ter que pôr em prática o tal do domínio próprio quando minha vontade era de agarrá-lo e dizer que sinto falta quando o mundo só parece abrigar nós dois na imensidão dos nossos desejos impulsivos e sufocantes, na imensidão dos meus olhos quando encontra os dele, sem jeito...


Não dá pra saber da vida dele e não poder participar nem contribuir em nada...


É difícil manter a compostura, manter-me sempre séria quando o que meu desejo mais pede é a companhia de seu sorriso...


É de morrer ficar esperando ele chegar com aquele cheiro que parece que ele preparou especialmente em minha homenagem e ter de me contentar em dizer apenas “... E você, cheiroso!!!”


É duro ouvir as palavras que ele me profere quando quer me advertir que é melhor que façamos isto ou aquilo quando me dá vontade de jogar tudo pro ar e dizer “Sabe de uma coisa? Que o mundo se dane!!!” E como diz a música de Exaltasamba “Eu não quero nem saber... Quero amar você!!!”


É de doer na alma a simples ideia de que ele pode, um dia, ir embora e nunca mais voltar alegando que já deu... Que assim é melhor pra nós dois! Que foi bom enquanto durou e que eu preciso seguir a minha vida...
Seguir minha vida mais uma vez...



***


E assim o pretérito da minha vida continuaria IMPERFEITO! Sem previsão para término, preso ao passado... A eterna dúvida que compete às reticências, que se solidifica nas desinências modo-temporais dos verbos do pretérito imperfeito e que coloca a minha vida de volta à estaca 0. Do mesmo ponto onde outrora fora a largada.

As paixões devem constituir numa espécie de treino. Devem ter como objetivo identificar até onde o ser consegue se equilibrar e até que ponto não consegue mais...

Que elas digam em que pé estou e que me preparem pro imperfeito que sempre me aguarda!



E, já que nada é PERFEITO...
Que eu viva a imperfeição de sentimentos tão perfeitos, mestre do divino compasso das orquestras!!!

Minhas e outras histórias. By Tali Mota.