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terça-feira, 6 de outubro de 2009

DERICK: a diferença que fez a diferença na minha vida!

O ciclo natural da vida há muito tempo nos é sabido e torna-se, muitas vezes, até chata a velha repetição do "Nascer, crescer, reproduzir e morrer!"




Posta a irritação que o lema da vida nos provoca, cabe aqui um questionamento a fazer: será que a vida se resume em apenas "Nascer, crescer, reproduzir e morrer?" Será que somos tão mecânicos a ponto de apenas repetir as mesmas coisas... sempre? Então, para que finalidade estamos vivendo? Qual o sentido da vida?




Perdoem-me os filósofos mas acho que encontrei uma resposta. E ela me sobreveio a apenas algumas horas deste momento em que vos escrevo, trazendo-me sensação ímpar, coisa que nunca senti antes.




Foi a descoberta de um novo amor? Você pode pensar.


Não!


Não foi um beijo nem mesmo um abraço.


Foi um olhar!




Apontou o dedo pra mim e não sei como, mas senti o chão se abrindo e eu flutuei.


Voei!


Sem dúvida, voei!


Estive no céu por muitos instantes...


Céus de Outubro, de Novembro, de Dezembro...


Céus de Abril, Março e Fevereiro...


Céus de Recife, Alagoas, Minas Gerais, quase RIO DE JANEIRO!




Os céus se abriram diante de mim por causa daquele olhar que me diziam antes de qualquer coisa "Valeu a pena! Obrigado por tudo! Eu estou muito feliz..."




Hoje, descobri o sentido de viver e nada pôde desviar-me a atenção enquanto refletia sobre isto, nem mesmo Galileu Galilei.




Lembrei-me, então, do dia em que encostei pertinho dele e perguntei "Hey, Você está bem?" Ele, meio assim, morgadinho, desabafou suas angústias e já melhor me ouviu dizer "Olha, eu tenho um negócio bom pra você! Um concurso de redação muito massa. É sobre a astronomia. Jesus me disse isso hoje e eu pensei logo em você! Topas?" E ele, abriu aquele sorriso que eu amo e sem pestanejar retrucou "Oush! Massa! Quero sim! Como vai ser?"




Depois, lembrei-me de minhas aulas, dos puxavões de orelha que eu sempre dava na turma para que produzissem, nas gazeadas de reunião que ele sempre dava...




Dei de ré e lembrei-me das aulas de inglês que ele sempre fazia questão de quando terminar dizer "Foi muito massa a aula hoje, professora!"


Da risada que ele dava quando gesticulava o IN/ON/UNDER e BESIDE sempre que eu pedia...




Do jeito explosivo adolescente de ser, ora muito apaixonado ora muito na "fossa". Das conversas doidas de msn, do brega rápido que dançamos na minha festa de aniversário... Dos textos que eu pedia para que me deixasse publicar... Textos que me arrepiavam e sempre me deixavam pensando "Meu Deus, esse menino é um gênio!"




Lembrei-me, também, da parte humana que sempre fiz questão de trabalhar: a solidariedade, o carinho, a responsabilidade e principalmente a HUMILDADE "Seja humilde, pois sem humildade você não vai a lugar algum... E nunca diga às pessoas o quanto você é bom: elas ja veem isso!"


Da cumplicidade, da confiança que instauramos desde os primeiros momentos de contato... Da alegria do reencontro, dos amigos do morro que me fez adicionar no msn, das mentiras que me fez fazer pra limpar sua pele na diretoria... Da melhor nota de inglês da prova surpresa de todos os tempos: 1,5.


Do orgulho que sempre me deu, da reciprocidade nunca abalada, dos NxZeros da vida... Da fé que me fez ter num mundo melhor!




Ao apontar o dedo pra mim e me entregar o certificado de 1º lugar, apenas uma coisa não me saia da cabeça "Puts! Valeu a pena!"



Valeu a pena todas as madrugadas de preparação de aula...

Todos os estresses da não apresentação de seminários...

Das provas mal respondidas...

Valeu a pena a garganta seca...

A vontade de entregar os pontos...

De mandar todo mundo pra'quele lugar... BONITO!

Valeu a pena não ter desistido quando me disseram que o Aderbal não era a escola dos meus sonhos nem baixado a cabeça quando duvidaram da seriedade do meu trabalho...


É como eu sempre digo "Quando eu desistir de mundar o mundo... É porque o mundo me mudou!"


E toda esta história me fez descobrir a mim mesma.

Eu não sou única nem perfeita.

Mas, como ele mesmo disse parafraseando o texto que eu li no fim do ano passado "É nóis no 5% aê..."


Hoje eu descobri, de fato, que EU FAÇO A DIFERENÇA porque a vitória dele não se restringe a ele tampouco a mim. A vitória dele tem um dedinho - no bom sentido - de cada um daqueles que marcaram a sua existência.


Se você deu apoio à ele... A VITÓRIA TAMBÉM É SUA!

Se você o abraçou... A VITÓRIA TAMBÉM É SUA!

Se você brigou com ele... A VITÓRIA TAMBÉM É SUA!

Se você o beijou na boca... A VITÓRIA TAMBÉM É SUA!

Se você nem fala com ele... A VITÓRIA É SUA TAMBÉM!



Porque nós somos o resultado de tudo o que nos acontece e com ele não seria diferente.



Hoje, ele me provou que faz parte dos 5% e esta decisão foi dele! Não minha!

Hoje, ele deu o 1º lugar ao Aderbal no concurso de redação...

Hoje, ele me fez valer sua inteligentibilidade...

Hoje, ele me fez chorar, tremer, vibrar e até GRITARRRRR!!!

Hoje, ele me mostrou do quanto é capaz...

Me mostrou que eu também sou capaz de virar este mundo de ponta a cabeça e fazer a diferença!


Hoje...


Ele me provou que o amor que eu sinto pela 8ª A e pela educação como um todo é VERDADEIRO E ÚNICO!




E dizer que toda esta sensação foi-me dirigida apenas num único olhar!




É!

Agora acho que posso estufar o peito e dizer:


VALEU A PENA!


Ops!

Valeu está no passado, não é?


Então, acho que empreguei o verbo no tempo errado.


Não.


Não VALEU a pena.


Ainda VALE!



Afinal,



O Rio de Janeiro ainda nos espera...





À ele que mais do que campeão de um concurso de redação, foi o herói do meu dia, da minha carreira... Da minha história!


Um verdadeiro campeão da vida!



Sucesso!


E...



EU TE AMO!!!


(Fazer o quê, neh? Tuh sabe!!!)




Depoimentos que marcam a vida. By Tali Mota


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Você conhece a sua própria casa?



De saída para casa parei para escutar num bar próximo a notícia catastrófica que as Tv's anunciavam: a nossa queridíssima Vanusa havia errado a letra do Hino Nacional Brasileiro. Trechos do vídeo foram exibidos a fim de ressaltar o total desleixo e, talvez, má sorte, que acompanhavam a cantora neste momento tão importante no cenário nacional e eu estava ali, como diz uma amiga merachandoderir...

Tava dando hora pra ele me buscar e neste meio tempo pensava em como as coisas estavam tão diferentes: é banana comendo macaco, é poste fazendo xixi em cachorro, é Sarney incorporando o "quem tira onda é eu" (e reparem na concordância!!!), é Vanusa cantando o hino nacional errado e alegando estar em estado anestésico por causa do remédio pra labirintite... Vá entender o Brasil!


O telefone toca e da outra linha:


- Tas aonde?

- Aqui amorzinho, perto do bar de Seu Américo. E você?

- Quase ai. Daqui a pouco te ligo, quando tiver mais perto.

- Tá bom!


Os comentários, a esse momento, eram inúmeros. Uns engraçados, outros dramáticos. Cada qual tinha seu fundo de verdade e o seu instante de devaneio. Eu, entretanto, me pegava pensando em como o Brasil têm me decepcionado... As pessoas, os gestos, as atitudes, os desejos, o futuro: tudo tava me levando a crer que lutar pela educação e melhoria do país era um sonho falido e eu começava a pensar no que deveria fazer dali pra frente.

Era realmente difícil pra mim aceitar em como as coisas se tornam tão desprezíveis nas mãos de pessoas erradas, como a vida adulta traz traumas ao ser, quando este tem de se tornar parte de um sistema sujo, inútil, evasivo e incapaz de transformar ou fazer refletir a realidade; tava complicado entender que enquantos muitos lutam para sobreviver, outros farram com o nosso suor... Que enquanto a inocência se apresenta de forma sutil e, inocente, muitos revelam a aspereza e imundície de caráter declarando os direitos humanos como forma de esconder a covardia que existe em seus corações fracos e carentes de amor.

É por isso que acredito na bíblia.
Ela diz que "Cristo veio para os aflitos, para os oprimidos"... E, sem dúvida, pessoas que agem assim precisam de algo maior em suas vidas.

Não Vanusa.
Quem dera ela concentrasse todo o problema da nação!
Ela era mera coadjuvante. Parte de um circo maior...

Enquanto pensava nestas coisas, fui me dirigindo próximo à rua 17 de esquina com o bar de Seu Américo quando, de repente escutei algo parecido com uma discussão de um homem aparentando ser de classe humilde, pobre mesmo, com outro que estava, acredito, tomando conta dos carros da rua 17. Nada curiosa, parei defronte a um carro preto e me debrucei na conversa, a fim de saber o que estava acontecendo. Foi mais ou menos assim:


- Eu disse a ele que ele tivesse vergonha na cara! Que ele fosse homem e assumisse as responsabilidade de homi que é. - Disse o homem aparentando ser pobre.

- Calma, Zé!

- Calma o quê! Ele já tava passando dos limite e eu falei pra ele que não ia mais aturar homem vagabundo na minha casa. Homi que é homi tem que ser honesto, trabalhar pra se sustentar. Há vinte ano que eu tô aqui catando papelão e nunca fui desonesto com ninguém e olhe que já passei por muitas, Biu. Num tá certo essa vida que ele leva e eu não vou passar a mão na cabeça dele, não! Ele que vá ser safado em outro lugar porque na minha casa só fica quem é homi direito e que paga as conta, ali tin-tin por tin-tin, sem devê nada a ninguém. Eu num devo! E quem é exempru pra ele? A rua?


Biu não disse uma palavra sequer.
Nem eu escutei mais o teor da conversa.

Fiquei imaginando o que esse homem (a 3ª pessoa da conversa - de quem se fala-) teria feito pra deixar Seu Zé tão desconsolado e irritado.

Boa coisa não era! Disso eu tinha certeza!

E, então, lembrei-me das palavras do sábio, da pequena parábola escrita por Paulo Coelho (do livro "O alquimista"), ditas ao filho do mercador: "Não podes confiar num homem se não conheceres a sua casa." E quanta verdade há nisso! Pensei, então, que a maioria dos problemas humanos reside na sua própria casa, na estrutura familiar, na formação do caráter desde os anos iniciais da vida. De fato, quem não conhece a própria casa não pode fazer nada para mudar o que está fora dela, muito menos criticar...


O telefone toca novamente.


- Oi!

- Já tô aqui... Vem pela rua 17 que te pego.

- Anham.


E o caminho até a porta do carro foi o necessário para que eu entendesse, finalmente, que também eu não conhecia a minha própria casa. E quantas famílias não se conhecem! É por isso que tem tanta gente fazendo merda por ai (Desculpe! Se eu não falasse isso, explodiria!)... Tanta gente cultivando ódio no coração... Tanta gente sem perdoar o outro... Tanta gente infeliz, roubando o que é alheio... Tanta gente vivendo às custas das desgraças dos outros e pensando que assim se é feliz... É por isso que tem tanta gente presa... Tanta gente fazendo o que é mal... Tanta gente se acabando na cachaça achando que isso é vida! Tanta gente iludida... Sem esperanças... Entregue ao vicio... É por isso que tanta gente erra, inclusive a letra do Hino Nacional: porque não conhece a sua própria casa!


Minto.


Seu Zé conhecia a sua casa. Uma agulha no palheiro. Não iria admitir os insucessos e safadezas da vida leviana do homem citado, que eu imaginei que fosse seu filho.


Seu Zé me devolveu as esperanças de uma humanidade mais justa. Ele no meio de tantos, foi suficiente pra me mostrar que o homem vale o que é e não a imagem que rotula em si.



- Que foi, minha little?

- Não posso mais continuar com você!

- Oush. Que papo é esse? Você tava boazinha agorinha. Vai, vâmo sair pra distrair.

- Não dá. Volte pra sua esposa e a faça feliz. Cuide de sua casa que eu preciso cuidar da minha.

- Ei, Lillte! Volta aqui...


Minhas e outras histórias. By Tali Mota
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Copie esta imagem em seu computador e aprenda a cantar o Hino Nacional.
Conheça o Hino do seu país!
Ai está uma breve explicação sobre a música.
Seja brasileiro nos anos em que não há copa do mundo!
Com meus profundos sentimentos...
Tali Mota:)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Duas cervejas, amassos e muito axé music

Ela já estava inquieta esperando a hora dele chegar...


Marcaram às 2h30 da madrugada, mas era de se esperar que ele se atrasasse um pouco. Todavia, ainda nem dera a hora dele chegar e ela já estava impaciente; olhava a todo momento para os ponteiros que regem a vida e seu corpo balançava de tal forma que segurou-se em si mesma e pensava que ficar fora de controle de nada adiantaria.


Vamos aos nomes. Nina e Luis Leco. Este, conhecido apenas por seu apelido LECO, não era convidado da festa, mas Nina, no íntimo, desejava que fosse... Era festa de sua prima Juliana de 15 anos. Nina acabara de completar 17 e sua mente, definitivamente não estava naquele ambiente.


2h30. Nada


2h57 chega Leco com um carrão na rua adjacente ao local onde estava acontecendo a festividade e diga-se de passagem... Que lugar!

Era numa casa de festa que apontava para o lindo oceano atlântico. Era primavera e as flores realçaram nos olhos de Nina ao ver o celular tocando. Estava apaixonada! Iria admitir naquela noite... Talvez o motivo de tanta ansiedade!

Sem pestanejar, mas ao mesmo tempo cautelosa, dirigiu-se ao bar e pegou duas cervejas bem geladinhas, daquelas que descem redondo; sem ser vista, tentou sair pelo portão que dá acesso à praia e de súbito, percebeu que enfim estava chegando o grande momento...


- Vem pela praia. Estou indo em direção à praça do Sol... Vem nesta direção!!!


E enquanto a temperatura da cerveja na lata se misturava com a do ambiente, ela retorcia os lábios, ajeitava os cabelos que lutavam ardentemente contra os ventos da maresia e de uma noite que ela julgava tão especial e enfim, pôde perceber lá longe uma sombra...


- É ele!


Notaram-se na escuridão dos céus de Recife.


Louca e ardendo em paixão, Nina corre na direção dos braços fortes de Leco e como num filme desses de romance, os dois se abraçam, se beijam e se amam nas "águas infindas, onde se plantando, tudo dá..." de meu querido amigo Pero Vaz de Caminha.


- Eu estou completamente apaixonada por você!

- Sério? Diz de um jeito pouco hospitaleiro.

- Anham.


A festa ainda continuava rolando, mas ninguém havia ainda dado a falta de Nina. De onde estavam dava pra escutar as músicas que animavam a festa...


- "... Seu amor é a minha cura, é doce paixão... Ninguém segura!!! Eu amo essa música! Ah! É a nossa cara!


E quando a música recomeçou ela foi no embalo...


[Caro Leitor, o texto se dará na sua completude se você também começar a escutar a música agora...Portanto,acesse: http://www.kboing.com.br/script/radioonline/busca_artista.php?artista=babadonovo&cat=music e escolha a música DOCE PAIXÃO!!! Escolha abrir em uma nova janela.]


"Toda vez que eu te vejo
O meu coração dispara
Perco a fala quando você está perto.
Se você me pede um beijo
Fico louca de desejo
Eu viajo ao paraíso
Vou de carona na luz dos teus olhos
Te quero tanto
A verdade é que...
Toda vez que eu te vejo
O meu coração dispara
Perco a fala quando você está perto.
Se você me pede um beijo
Fico louca de desejo
Eu viajo ao paraíso
Vou de carona na luz dos teus olhos
Te quero tanto
A verdade é que...
Seu amor, é a minha cura
É doce paixão
Ninguém segura
OÔo ooooooooo...."



- Olha. Eu acho que é melhor você voltar... Vão sentir logo a sua falta!!!


- Oush! Vão nada! Eles estão distraídos... Cuidei para que ninguém me notasse e também...


- Sabe o que é? Não posso mais mentir pra você...


- Porr... Lá vem merda! Pensou quase que em voz alta.


- Eu tô namorando.


SILÊNCIO!!!


- Na verdade, eu ia te contar mas é que...


Ela nada pronunciou.


- ... que não tava tendo coragem e também tava gostando de ficar com você...


- Não acredito que vocês voltaram!!!


- Desculpe! Acho melhor você voltar.


E desenlaçou os cabelos escuros e longos de Nina de seus braços. Deu de ombros e tomou o resto da cerveja.


Nina não acreditava no que estava acabando de acontecer. Não podia ser real!


E caminhando lentamente, voltou à festa. Pegou uma dose de Uísque e bebeu todo de uma vez que era pra anestesiar sua dor precária e sentimentalista de um ser, que aos poucos notara, era desprezível.


E não pôde se conter ao que seus olhos acabavam de registrar: era ele! De fato, não era mais pressentimento e, isto, Nina constatava a cada passo que Leco dava no salão.


- Feliz aniversário, minha princesa!


Os olhos de Nina cegaram e nunca mais esqueceu da sua primeira noite de amor...


De sua primeira vez!!!



Mas, ficou a lição: nem sempre os convidados são os mais importantes numa festa. Duas latas de cervejas não embriagam, Claudia Leitte não é trilha sonora de amor, a paixão só deixa as pessoas mais vulneráveis a atender aos instintos animalescos de outrem e, deveras, fazer amor com camisinha evita a gravidez...



Minhas e Outras histórias. By Tali Mota

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Gestos Delicados




Linda, qual forma sólida e retraída de intimidade te intimida

De tal forma que não escondes a verdade dos teus gestos delicados

Com o teu cheiro que embriaga vindo de aromas raros me embriago...

E me vejo nesse mundo tão privado, teu espaço,

Onde tu és quem quiseres...

Nessa vida tu demonstras o carinho em teu olhar que ao mundo intriga




Por ser teu, só teu desejo se faz fato consumado

Pois é fato que és imagem quase um tanto que divina

Por tua luz que não só brilha pra cegar olhos alheios

A riqueza do teu brilho me faz mais do que feliz

Por saber que em minha vida tu deixastes teu sorriso

E que eu durmo todo dia com a lembrança da tua voz...




Teu nome me marcou de forma tal que não esqueço

Que faz um vestígio de voz tentar um grito desinibido

Que Faz um acorde incompleto soar no mais perfeito timbre

Posso ser mais um poeta a te dizer coisas bonitas,

mas vejo na obrigação de te dizer o quanto és... Você





..............................Feita pra você. By Otavio Alcantara

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

PAIXÃO: o pretérito imperfeito da minha vida


Sim.


Já sou alfabetizada e mais do que ninguém sei que a palavra “paixão” não corresponde a um verbo para poder ser conjugado no pretérito imperfeito. É um substantivo dito como abstrato e para mim, de fato, é! Mais do que isto: é o pretérito imperfeito da minha vida! Causa de conflitos internos, de reflexões acerca do que sinto, de levar à risca o que meu amigo Sócrates disse uma vez, talvez acabando de viver uma paixão, “Conhece-te a ti mesmo”; causa que me rende bons textos.
Estou vivendo mais uma paixão!


E sinto que, mais uma vez, ela não será PERFEITA, embora os acontecimentos estejam me provando o contrário. Planejar algo que nunca poderá ser vivido intensamente não é uma boa forma de viver a vida...

Ando percebendo que o CARPE DIEM não é o meu lema de vida.
Eu não vivo intensamente!

Eu espero sempre um amanhã. Penso que dá pra agüentar mais algumas horinhas e esperar ele me ligar, me chamar de “gatinha”, dizer que sente minha falta, que quer sair logo dali e me levar junto, que não vê a hora de beijar minha boca...

Penso que devem existir pessoas que vivem o que prega o CARPE DIEM...
DE VEZ EM QUANDO, claro!

Ninguém consegue realmente ser pleno em tudo o que faz, senão não existiriam famílias, empregos, vida social. A vida é feita nos seus pormenores, no momento exato em que se erra, quando não se é pleno. A vida existe e perdura no seu pretérito, que é sempre imperfeito. Nunca concluído.

Discordo quando se conjetura a existência do pretérito PERFEITO.
Pra mim, não!

Na minha vida tudo não passou de um projeto não-finalizado, interrompido por algo ou alguém que, da mesma forma, é/está inacabado... E quão difícil tem sido encarar esta realidade!

Lembro-me de quando precisei tomar meu rumo depois que acabou o período escolar... Sofri demais! E, um amigo meu, em confidência, revelou-me que a vida é isto mesmo: um emaranhado de experiências que se intercalam ora entre si ora pelo mundo exterior a nós, porém (e sempre tem o PORÉM!) não vive em si mesma o tempo todo. É necessário que se viva outras coisas e que se guarde o que de bom ficou delas.

Mas, o que fazer com essa minha paixão?
O que fazer com toda esta loucura?
Quanto vale um devaneio?



Quanto vale um devaneio?

Se é que é devaneio!!!


Não sei suportar o que é viver algo que nunca está acabado e que nunca irá ter fim!


Não dá pra suportar vê-lo indo embora quando ainda não respondeu o que sente por mim... De verdade!



Não dá pra agüentar olhar pra ele e não poder dizer que adoro quando ele inventa aqueles truques que deixa todo mundo rindo...


Não dá pra ficar feliz quando ele me diz “Então, gatinha, dorme bem e até amanhã!”, quando o que eu queria era passar a noite toda com ele, nem que fosse só ouvindo a sua voz...


Não dá pra ficar de frente pra ele e ter que pôr em prática o tal do domínio próprio quando minha vontade era de agarrá-lo e dizer que sinto falta quando o mundo só parece abrigar nós dois na imensidão dos nossos desejos impulsivos e sufocantes, na imensidão dos meus olhos quando encontra os dele, sem jeito...


Não dá pra saber da vida dele e não poder participar nem contribuir em nada...


É difícil manter a compostura, manter-me sempre séria quando o que meu desejo mais pede é a companhia de seu sorriso...


É de morrer ficar esperando ele chegar com aquele cheiro que parece que ele preparou especialmente em minha homenagem e ter de me contentar em dizer apenas “... E você, cheiroso!!!”


É duro ouvir as palavras que ele me profere quando quer me advertir que é melhor que façamos isto ou aquilo quando me dá vontade de jogar tudo pro ar e dizer “Sabe de uma coisa? Que o mundo se dane!!!” E como diz a música de Exaltasamba “Eu não quero nem saber... Quero amar você!!!”


É de doer na alma a simples ideia de que ele pode, um dia, ir embora e nunca mais voltar alegando que já deu... Que assim é melhor pra nós dois! Que foi bom enquanto durou e que eu preciso seguir a minha vida...
Seguir minha vida mais uma vez...



***


E assim o pretérito da minha vida continuaria IMPERFEITO! Sem previsão para término, preso ao passado... A eterna dúvida que compete às reticências, que se solidifica nas desinências modo-temporais dos verbos do pretérito imperfeito e que coloca a minha vida de volta à estaca 0. Do mesmo ponto onde outrora fora a largada.

As paixões devem constituir numa espécie de treino. Devem ter como objetivo identificar até onde o ser consegue se equilibrar e até que ponto não consegue mais...

Que elas digam em que pé estou e que me preparem pro imperfeito que sempre me aguarda!



E, já que nada é PERFEITO...
Que eu viva a imperfeição de sentimentos tão perfeitos, mestre do divino compasso das orquestras!!!

Minhas e outras histórias. By Tali Mota.


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Posso ler sua mão?

Grande coisa!
Isso é lá coisa que se diga quando se quer rolo com uma menina?
Era mais pra chamar a atenção. Depois disse-me isto mesmo, refutando que já estava desesperado pra chamar minha atenção e que, ao contrário do que eu lhe dissera, não era mera zoação... Era uma forma de dizer "Ei, estou aqui! Você pode me ver?"
Era tesão!
E isso já contava meses.
Fiquei surpresa. Ele não era absolutamente lindo... Nem chegava a tanto! Mas, incrivelmente despertou em mim o ato, o FATO de eu estar viva e por mais ridicula, engraçada que o "Posso ler sua mão?" se apresentasse, ainda isso me faria sentir viva... DE NOVO!!!
- Claro!
- Hum... Deixe-me ver o que tem escrito aqui... Que letra deve ter? Eita! ACHEI! Tem a letra M.
O nome dele era Mauricio.
- É mesmo! Eu nunca tinha notado!!! E onde é que tá a letra M ai?
- Aqui, Óh! Disse apontando para uns dois traços meio paralelos, meio curvos, meio nadaavercomaletraM.
Ele sorriu.
Eu também.
- E ai? O que tens feito da vida?
- Trabalhando. Trabalhando o tempo todo. Eu estou realmente cansada hoje...
- Hum! Cansada neh?
- Anham.
Are!
Fiquei tão sem graça como no dia em que o coleguinha da escola abaixou a minha saia na frente dos outros na sala de aula quando tinha apenas 6 anos.
Nem de perto pareceu, mas ele de alguma forma me despiu.
...
Ele não só leu a minha mão como me convidou para beber alguma coisa. Também aceitou com carinho minhas mensagens de texto - "Eu adorei a mensagem que você me enviou!!!"
Com muito respeito levou-me ao seu recanto (que descobri ser o meu também) de reflexão sobre a vida, a existência... O de contemplar e admirar a vida, a obra do Criador; com profunda destreza soube recolher-me em seus braços, me fazer de gato e sapato e fazer-me sua depois de eu tanto relutar. Ainda me fez comer esfirras com coca-cola entocada debaixo de uma árvore num lugar que eu provavelmente não sabia nem encontrar no Google Earth. Contou-me de sua vida, de suas traquinagens e de sua vida tão corrida, mestre do divino compasso das orquestras, dos cachorros que assustam ladrões, das aventuras tidas como vacinas.
Ele, que me preparou em surpresa (talvez até imperceptivelmente) as roupas em cima da cama inenarravelmente de forma que, ao sair do banho, não pude me conter em tamanha gentileza. Ele, que não para no lugar quieto, que me deu trabalho, que massegeou os dedos dos meus pés com uma ferramenta pouco usual. Ele, que tirou água com o "balde" de lixo... Que me fez rir, que prefere não se envolver, que fez da minha tarde um lugar de alegrias inefáveis.
À ele, que leu a minha mão...
Minhas e outras histórias. By Tali Mota

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Seis pais-nossos por uma caderneta

- E agora? A diretora me disse que eu não entrasse na sala de aula sem a caderneta; muito menos permitia que os alunos tivessem a noção que eu tinha esquecido a bendita... E agora? Os meninos não podem perceber... - Era o que repetia o professor incansavelmente e frustado por ter esquecido, na sala dos professores, a tal da caderneta. - Preciso dar um jeito de resolver isso logo!
Sempre que o professor chegava na sala fazia questão de manter um ritual aderido desde o início do ano por boa parte das turmas em que ele dava aula e consistia no seguinte:
1ª coisa - rezar o pai-nosso
2ª coisa - dar a aula
3ª coisa - fazer tarefas e/ou perguntas aos alunos.
É claro que um dia ele priorizava a leitura dos textos de ciências (a matéria que leciona), outros preferia fazer debate, brincadeiras educativas, etc. De qualquer modo o PAI-NOSSO era o lugar-comum em meio a tantas atividades. Era algo essencial. Não podia deixar de acontecer.
- Pelo menos assim eu acalmo os alunos além de incutir a presença de DEUS na sala. Boa tática o professor usava. Batamos palmas!!!
Entretanto, neste dia o professor não contava que logo ela, a caderneta, ele tinha esquecido. E algo em sua mente dizia que ele precisava tomar alguma atitude.
Neste meio tempo, os estudantes já estavam rezando o pai-nosso e logo mais a oração iria acabar. Era agora:
- Por que você não está rezando o pai-nosso? Gritou o professor com apenas três alunos que não haviam falado em voz alta a oração e a turma toda se encheu de pânico, afinal, o professor nunca havia falado daquele jeito antes. - Vocês não têm vergonha? Acham que a oração é brincadeira? - E à cada interrogativa, sua voz se elevava de modo monstruoso. - Eu tenho notado que vocês três não têm rezado o pai-nosso... Pois agora, como pagamento pela forma desonrosa que estão tratando este ritual, vocês irão rezar com o restante da turma seis pais-nossos de modo que se não rezarem eu mando descer pra diretoria... Me ouviram?
- Simmmmmmmm!!! Disseram os alunos morrendo de medo.
- Pois vamos começar agora.
- "Pai-nosso que estás no céu, santificado seja o Vosso nome..."
E o professor vendo a turma concentrada e de olhos fechados, correu à sala dos professores e pegou a caderneta rapidamente. Temia que os meninos e meninas tivessem aberto os olhos.
- Se eles virem que eu não estou lá to fud... Mas poxa, eles vão ter que me desculpar... Eu não queria fazer isso, mas não tive escolha!!! - Pensava enquanto corria.
Chegando à porta da sala...
- ... E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal...
- AMÉM!!! Respirou o professor aliviado...
[É cada coisa que acontece na escola... By Tali Mota ]